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Longevidade dos negócios familiares é tema de evento da Fundação Dom Cabral

A Fundação Dom Cabral (FDC), em parceria com sua associada Barros Soluções em Gestão, realizou, no último dia 4, o Entre Famílias – 1º Encontro de Governança. O evento reuniu algumas das famílias empresárias do estado do Ceará para momentos relevantes de reflexão acerca dos negócios familiares.

O encontro teve início com a palestra “Desafios de longevidade da empresa familiar”, com a professora convidada Cecília Lodi, da FDC. Segundo a palestrante, cerca de 75% das empresas familiares morrem entre a primeira e a segunda geração por problemas relacionados a sucessão, modelo de gestão e liderança. “Quando os filhos começam a crescer, os fundadores não conseguem compreender que o modelo de gestão e a forma de conduzir os negócios terão que mudar. Essas empresas começam a tropeçar”, conta.

Cecília explica que da segunda para a terceira geração morrem ainda cerca de 25% das empresas, restando apenas 5% de empresas que sobrevivem às mudanças de gestão. “A partir da segunda geração, há mais peças no tabuleiro do jogo. Irmãos, cônjuges. E não necessariamente as empresas vão suportar calar todas essas vozes para que apenas um sucessor predomine”, completa.

CONFIRA AS PRINCIPAIS RAZÕES PARA O FRACASSO DO NEGÓCIO FAMILIAR

Motivos aparentes

  • Conflitos: a família é impactada pela contaminação das diferenças no negócio
  • Declínio de renda: o negócio estagnou e já não atende às necessidades financeiras da família

Motivos ocultos

  • Distorção da visão de dono: os familiares não entendem que quem tem sócio tem patrão
  • Falta de definição dos papéis: não se percebe a necessidade de implantar uma nova Governança pois o modelo de tomada de decisão já não serve mais
  • Falta de regras do jogo: não ficam claros quais são os problemas que podem ser gerados e quais as ferramentas de solução
  • Falta de alinhamento do que se quer no futuro: os familiares e acionistas não discutem em que bases o negócio será refundado

Após a palestra, juntaram-se a Cecília Lodi no palco para um bate-papo as empresárias Iracema Nobre, fundadora e vice-presidente do Grupo Nobre, Aline Telles Chaves, diretora da Naturágua, e Ticiana Rolim Queiroz, diretora da C. Rolim Engenharia. Todas já participaram do programa PDA – Parceria para o Desenvolvimento do Acionista e da Família Empresária, da FDC.

Com a mediação de Cecília, as três convidadas compartilharam suas experiências e boas práticas nos negócios, abordando patrimônio familiar, sucessão, modelo de gestão e outros temas. Para Iracema Nobre, ter participado de um programa como o PDA foi fundamental para mudar sua visão sobre o futuro. “Depois que fizemos o PDA, nos conscientizamos mais de que a gente tem que organizar a família e começar a passar a peteca desde cedo para que eles [as próxima gerações] possam dar continuidade ao negócio”.