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o novo papel do líder nas organizações

O novo papel do líder nas organizações

O líder é uma peça importante em toda equipe, pois ele é o responsável por fazer a mediação entre os colaboradores e os objetivos da empresa.

No entanto, o seu papel tem gerado muitas discussões no mundo corporativo, visto que existem muitas percepções acerca do novo papel da liderança nas organizações.

Muito se ouve sobre o desafio de gerir equipes, mantê-las motivadas e elevar o nível de produtividade do time e, por conta disso, criaram-se muitos mitos em torno deste tema, associando essa nova forma de liderar a altos investimentos, bônus de performance, grandiosas estruturas, ambiente descolado, piscina de bolinhas na sala e mais…

Mas será que tudo isso é realmente necessário para compreender, ou adotar, o novo papel da liderança? Continue lendo!

O líder precisa ser inspirador, estrategista e sobre-humano?

A resposta é não. O líder não precisa ser um super herói, ter super poderes e nunca errar. Na verdade, essa é uma linha totalmente contrária ao que se espera do novo papel da liderança nas organizações.

É preciso que ele – o líder – construa um espaço para que cada colaborador possa se automotivar, se autogerenciar e tornar-se autor dos seus próprios resultados.

O líder é como um maestro de um concerto, onde o seu papel está diretamente ligado ao andamento dos processos, de forma a harmonizar o ambiente, colocar as atividades e necessidades dos colaboradores em equilíbrio e auxiliar em dúvidas e metas da organização.

Nesse novo papel, a liderança faz parte de um sistema complexo, pois as relações interpessoais se misturam aos processos de tomada de decisão.

Sergio Piza, diretor da maior produtora de papéis do Brasil, entende essa mistura como a combinação de estratégia, marca, cultura, modelo operacional de gestão, tecnologia, recursos financeiros e pessoas.

Ele também afirma que o líder busca o alinhamento, isto é, uma proposta para que o grupo caminhe junto sobre um mesmo traçado e na mesma direção.

Logo, a principal competência da liderança vem do fator humano: saber ouvir; sem julgar, sem concordar e sem discordar, apenas criando condições para que a conversa tenha um progresso favorável.

Ouvir de verdade faz com que o colaborador se sinta confortável para dizer o que sente, sem medo e com total confiança em seu líder.

Boca fechada e ouvidos atentos: a era da ‘chefia’ já acabou

Encontrar um chefe não é tão difícil quanto imaginamos, afinal bastam apenas 10 minutos de conversa para perceber que são profissionais com tendência a comandar pessoas, impor ordens e serem autoritários.

Além disso, são centralizadores de poder, apontam erros de forma carrasca e têm o hábito de falar muito, mas ouvir muito pouco.

Acontece que trabalhar desta forma proporciona o efeito oposto ao da inovação e crescimento da organização, ocasionando retrocesso ou, simplesmente, uma parada no tempo.

Portanto, manter a boca fechada e os ouvidos atentos, faz com que os colaboradores sintam-se livres para aflorar as suas ideias, principalmente, se o alvo da empresa é a inovação.

E o resultado da inovação pode provocar diversos benefícios, como a redução de custos, o ganho de produtividade, aumento na qualidade dos produtos ou serviços, assimetria competitiva e, frequentemente, monopolização temporária de uma oportunidade de mercado, gerando maior lucro.

O novo papel da liderança vai além e também assume a posição de educador, contribuindo para que cada pessoa assuma a sua autonomia e tenha atitudes conscientes diante do seu trabalho; ou seja, saiba o que faz, porque faz e veja um pouco de si em cada produto ou serviço da organização.

Diante disso, o líder promove o engajamento da equipe, elevando o interesse pelo trabalho, o orgulho pelo que faz, o reconhecimento das competências e a renovação da motivação.

Desta forma, o líder consegue unir vários pontos importantes:

  • incentivar a inovação;
  • alcançar ganhos eficientes;
  • elevar a produtividade do time;
  • e atingir grandes resultados de forma sustentável.

Com isso, é possível sustentar as mais diversas transformações na estrutura e cultura organizacional, em prol do desenvolvimento de uma empresa extraordinária.

Mas, por onde começar?

Autoconhecimento é o ponto de partida. Não dá pra mudar os caminhos da liderança sem investir em autoconhecimento e almejar a identificação do seu propósito de vida. 

É com isto que se oferece ao time um contexto que instigue a motivação, a inovação, o aprendizado constante e o aumento da produtividade.

Mas, apenas o trabalho diário não basta, afinal todos temos uma vida que vai muito além do que somos profissionalmente. Segundo Piza, é importante haver um processo de reflexões pragmáticas para que as suas escolhas de vida e carreira estejam em harmonia com sua essência e, ao mesmo tempo, levem aos melhores resultados para sua realização pessoal.

É importante haver uma sintonia entre os valores profissionais e pessoais, em um nível em que um leve em consideração o outro.

É a partir desta relação com si mesmo que o líder poderá estabelecer relações de confiança e desenvolvimento com os colaboradores, de forma que seja possível aprender, realizar e retribuir.

Essa ressignificação do papel do líder é crucial para os novos tempos, pois constrói um ambiente fundamentado na confiança, permitindo conversas sinceras e poderosas, onde é possível desenvolver soluções inovadoras para problemas complexos.

Portanto, não se trata de uma liderança inspiradora, estrategista e sobre-humana, mas sim, uma liderança que tenha lógica para o crescimento sustentável do negócio e que traga sentido para todos os colaboradores.

Você gostou deste artigo? Deixei nos comentários a sua opinião sobre o novo papel da liderança nas organizações e participe dessa discussão.

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