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LIDERANÇA, PODER E REFLEÇÃO

LIDERANÇA, PODER E REFLEÇÃO NA ERA DA COVID-19 COM JONATHAN GOSLING

Por Kael Ladislau​​

Com uma brilhante carreira acadêmica e passagem por instituições como University of Exeter, Lancaster Universtiy Management School, Renmin University of China, Copenhagen Business School, INSEAD, entre outras, Jonathan Gosling é uma autoridade quando o assunto é liderança. Ao lado de Henry Mintzberg, e outros líderes de pensamento, criou uma nova abordagem para o ensino de administração, o International Masters in Practicing Management e atualmente é diretor fundador da CoachingOurselves, parceira da Fundação Dom Cabral nesta e em muitas outras iniciativas voltadas para educação executiva.

Na conversa com Viviane Barreto, diretora de estratégia global da FDC, Jonathan faz uma análise profunda sobre a importância e o papel da liderança em um momento de grande imprevisibilidade. Para o professor, mais que tentar prever o futuro, uma questão particularmente difícil nesse momento em que todos buscam respostas, mas ninguém as têm, é fundamental nos concentrarmos no presente e entendermos o contexto em que estamos inseridos e ter pistas sobre os desafios que nos aguardam.

Para o professor, a característica-chave desse momento é a ansiedade. Além de influir em todas as esferas de decisões, ela está presente em indivíduos, empresas e governos. Esse é um elemento que não pode ser simplesmente eliminado da equação e é aqui que temos reforçado o papel do líder. Eles precisarão ajudar as pessoas a lidar com suas próprias ansiedades.

Por meio do que se chama de liderança catalizadora, o professor reforça a necessidade dos líderes em oferecer estabilidade e segurança, mesmo que seja por uma arquitetura temporária, até que surjam novas realidades e novos contextos. Outros tipos de liderança também aparecem em momentos como este, mas o principal objetivo é manter as pessoas mobilizadas e capazes de continuar dando contribuições criativas em um ambiente cada vez mais tomado por complexidades.

O líder tem agora uma missão importante em tentar traduzir e explicar racionalmente o momento e, a partir daí, oferecer condições e bases para que as pessoas se sintam efetivamente mais seguras. Este é um momento de luta – e não de fuga – e precisamos inspirar um espírito de combate e superação.

Quando o assunto é ética, enxergando que nas próximas horas, dias e semanas líderes terão que tomar muitas decisões e fazer muitas escolhas, esse tema ganha uma importância ainda maior. Quando as pessoas se deparam com escolhas e dilemas recorrem a diferentes fontes para fazer aquilo que acham certo. Valores, virtudes, propósito, bússolas morais que sempre inspiram melhores decisões. Muito além da análise lógica sobre o custo-benefício de uma decisão, este momento pede que pensemos também com o coração, com afeto, com uma preocupação maior com o outro. São tempos realmente difíceis e precisamos exercitar a empatia.

As pessoas são promovidas a posições de poder quando são realmente boas em exercer o controle. E, às vezes, é difícil transferir isso para que outros indivíduos assumam responsabilidades. A impossibilidade de se sentir confortável ao decentralizar o controle pode ser algo destrutivo. Exercer a liderança exige muita autoconsciência. E é nessa medida que buscar ferramentas e capacitação pode ser útil para uma atuação mais ampla e plena.

Além de pertinentes, as reflexões do professor Jonathan Gosling são necessárias para estamos preparados a um novo ciclo cercado de ineditismo e que exigirá de nós habilidades ainda não testadas e teremos que buscar dentro de nós. Você pode se aprofundar desse debate clicando aqui e assistindo a íntegra dessa entrevista exclusiva que contou com a participação também da comunidade FDC.​

Publicado originalmente no blog da Fundação Dom Cabral.

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