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burnout no home office

Burnout no home office: os colaboradores podem desenvolver essa síndrome mesmo trabalhando em casa?

Quando combinada com todas as outras responsabilidades que precisamos enfrentar diariamente, realizar grandes quantidades de trabalho em casa podem ser especialmente desgastantes e causar um burnout no home office.

Em um artigo do New York Times sobre burnout no nível profissional, o autor Kenneth R. Rosen caracteriza o burnout como um ciclo.

É fácil ficar preso na rotina da super exaustão – trabalhando até tarde uma noite, depois mais tarde, depois ainda mais na noite seguinte, pois esses pequenos incrementos podem parecer fáceis de administrar.

Por esse motivo, é importante refletir: quanto trabalho você estava realizando na semana passada? Mês passado? Ano passado? Como ele se compara ao quanto você está fazendo agora? Você se sente mais cansado agora do que antes?

Essas perguntas são cruciais para entender como você está se sentindo, para que você possa, eventualmente, descobrir como gerenciar os seus níveis de estresse. Continue lendo e veja mais!

A fadiga diária de tomar decisões difíceis a todo momento

Quando pensamos em burnout, pensamos em pessoas que trabalham 12 horas por dia, respondendo às inúmeras mensagens do WhatsApp (mesmo depois de terminar o expediente de trabalho) e resolvendo confusões e problemas depois das 21h.

Mas em uma crise como esta, o esgotamento físico e mental pode surgir por motivos diferentes. De acordo com a BBC, os especialistas chamam isso de “fadiga da decisão”.

Com a nossa vida mudando tanto o tempo todo, a informação que absorvemos é constante e não apenas sobre o coronavírus, também há as informações de cursos gratuitos, coisas que você deveria estar fazendo, melhores horários e rotinas para os seus filhos, como trabalhar melhor em casa, sem falar das inúmeras lives.

Em outras palavras: a pandemia do Covid-19 está nos obrigando a tomar decisões difíceis rapidamente em um contexto novo e perturbador.

De acordo com alguns psicólogos, normalmente nós não estamos pensando nas implicações éticas de pedir um delivery de uma pizza ou se devemos oferecer mantimentos a um vizinho idoso, por exemplo. Isso resulta em um estresse psicológico, com o qual não estamos acostumados e nunca experimentamos algo assim nos tempos modernos.

As pessoas ainda estão tentando descobrir como existir neste novo mundo. Não é porque estamos há mais de um mês presos em casa, que já sabemos como lidar com tudo, ser produtivos e proativos.

Descobrir como estruturar uma rotina e priorizar tarefas pode ser bastante desafiador, quando a sua casa, que já foi um santuário, agora é um escritório, escola e uma quase-prisão.

Esse esgotamento da decisão, combinado com a pressão em fazer escolhas inteligentes e seguras para nós, para a nossa família e para a comunidade, pode levar a um desgaste emocional e específico de uma pandemia.

Relaxar se tornou uma atividade estressante

Em tempos como este, é normal ter alguma exaustão emocional e ansiedade. No entanto, os mecanismos para enfrentar esses sintomas desapareceram, como ir à academia, correr ou ir à praia.

É fácil encontrar na internet pedidos insistentes para que as pessoas iniciem projetos que estão engavetados, façam cursos ou aprendam uma nova habilidade.

Mas, na prática, isso soa bem menos bonito, afinal essas atividades relaxantes podem ser uma fonte de estresse para as pessoas, que já se sentem frenéticas por não estarem gastando o seu tempo corretamente.

Isso pode levar a um estresse ainda maior para quem está preocupado com o fato de não estar aproveitando esse momento em casa para ser produtivo, especialmente em um período que todos nós estamos descobrindo a melhor maneira de lidar com essa nova realidade.

Para a Lotte Dyrbye, médica da Mayo Clinic, uma das maiores instituições de pesquisa médica dos EUA, as pessoas precisam encontrar coisas que funcionem para elas, seja meditação, caminhadas solitárias ou compulsão na Netflix. “Ele realmente precisa ser muito individualizado, e não há necessariamente um certo ou errado.”

Em outras palavras: você não precisa se preocupar. Conte com os hobbies que você já possui, aqueles que você conhece bem e que fazem você feliz e diminuir o seu estresse.

Você não precisa escrever o seu próximo romance, aprender a tocar violão ou aprender francês. Esta é provavelmente a maior mudança em todas as nossas vidas, em termos de operações cotidianas, e é preciso tomar cuidado para manter a sanidade antes de entrar em pânico sobre o progresso da sua próxima obra-prima em andamento.

Maneiras de lidar com o isolamento e evitar o burnout no home office

#1: Fique calmo e mantenha-se esperançoso

Seja gentil consigo mesmo e não tenha medo de pedir ajuda, afinal essa pandemia prova o quanto realmente precisamos um do outro, mesmo isoladamente.

As notícias estão esmagando você? Limite a vê-las apenas uma vez por dia. Está sentindo que o dia está mais pesado e um pouco demais pra você? Permita-se chorar e desabafar.

Desabafe com um amigo que você confia. Abrace um membro da família. Tire um tempo para respirar, se for necessário.

Alguns psicólogos afirmam que o trabalho era considerado, para algumas pessoas, um refúgio das dificuldades em casa. No entanto, agora o lar e o trabalho se misturam e fugir de qualquer emoção não é mais possível nesse cenário, o que pode aumentar os sentimentos de asfixia e pânico.

Utilizar aplicativos ou vídeos de meditação guiada pode ajudar, além de fazer noites de jogos virtuais com os amigos ou fazer bate-papos em grupo com a família. O importante é encontrar aquilo que faz você se sentir melhor.

#2: Discipline-se para ser menos… disciplinado

Respeite o seu descanso tanto quanto você respeita o seu trabalho. Trabalhe até ser necessário. Faça pequenos intervalos durante o dia, como faria em um dia normal no escritório. Desligue o seu computador à noite. Resista à tentação de verificar o seu e-mail às 22h ou trabalhar no final de semana.

Afogue-se em hobbies. Curta um reality show da Netflix. Curta música nos finais de semana. Ou melhor – tenha um fim de semana!

E, por fim, não tenha medo de conversar com o seu líder e informar quando o trabalho começar a parecer um pouco pesado demais e não hesite em procurar ajuda psicológica, caso você se sinta à vontade.

#3: Os limites são os seus melhores amigos

Quando a casa vira o escritório, a divisão das diferentes áreas da sua vida deixam de existir. Os limites entre a casa e o trabalho ficam embaçados e você pode ser tentado a abolir os limites físicos e os limites de tempo, mas mais do que nunca, definir os dois é importante.

Certos locais acabam privilegiando você para certos papéis em sua vida. Por exemplo, se estou em casa eu sou um marido, esposa, filho ou irmão. Se estou em casa, sou chefe, sou amigo ou sou um funcionário. Por isso, pode ser desconfortável, pois estar em casa e trabalhar, enquanto espera-se que você esteja à disposição da sua família e ligue 24 horas por dia, sete dias por semana.

A sugestão aqui é dar bom dia e adeus às pessoas da sua casa para sinalizar que você está criando os limites da mudança de casa para o escritório.

Além disso, é importante não estar em um mesmo lugar pra tudo: trabalho, cama, alimentação, etc.

Se a sua casa permitir, procure áreas em que você possa designar para uma atividade específica. Por exemplo, a cama é para dormir, mesa de jantar para refeições, sala de estar para passatempos.

E, por fim, defina uma programação apenas para o trabalho e comunique isso com os seus colegas de trabalho, para que você não se sinta pressionado a continuar respondendo e trabalhando, mesmo quando o seu expediente de trabalho estiver chegado ao fim.

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